quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

À espera da boa nova

Estava sentada à espera que algo acontecesse, parei na esperança de que poderia haver novidades. Quem mas traz? De onde vêem? Que idiotice, vou beber o meu café que a única novidade que me traz é que com o passar do tempo já não há cafeína como havia. 
Um barulho circular entrando no meu ouvido, me tira a atenção do gosto a África que trago na boca. Levanto o meu tronco encolhido sobre os livros , fecho os olhos e imagino a chegada do vento com a boa nova da minha cura. Imagino o seu soprar atroz e feroz, movimentos circulares, vejo-os a aproximarem-se de mim, quase consigo identificar o cheiro desse ar, cheira a terra molhada, a feno, sem dúvida. Com a sua habitual força e pressa vem até mim querendo sussurrar ao meu ouvido mas a tempestade foi brutal que o zumbido não foi perceptível, não eram as novidades que queria. Como ousas rasgar meus ouvidos com tamanha amplitude de voz? Sou apenas mais um corpo com uma alma, com a consciência que é objecto de um jogo, que é a vida. Penso mas se não pensasse existia também. Não merecia não ter novidades, preciso tanto…No final continuava a ouvir o mesmo som circular, olhei para o espaço real que me rodeava e era a máquina de lavar a loiça, destruidora de pensamentos, falsamente me fez sonhar com boas novas, com o vento mensageiro de terras frias e era só ela na sua programada tarefa, lavando loiça, que triste sou, que triste me sinto. Já máquinas me enganam, já só os sons me fazem viajar no tempo com a esperança de ouvi-lo, ao vento, o meu vento.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ousadia de Nobres

Dispenso apresentações desses cornudos e chifrudos dos tempos antigos, maltrafulhos e gabarolas de guerras que não combateram, de mulheres que não comeram e de homens que desejaram porque lhes faltavam elas.
Tanto disparate e elas todas vadias, galdérias e pestenhentas com as mãos
cravadas na carne gorda disfarçada com corpetes sufocantes e perfumes na mesma pestenhentos, debaixo das unhas trazem o cheiro de peixe que a camponesa vendia no mercado da esquininha e todo o ano é Carnaval.
Homens sem guerras nem medalhas, mulheres sem respeito nem homem, eles com cornos e famintos, elas com a peste dentro e fora do corpo.
Que vida a de homens e mulheres de becos, com arrojados meios de viver, onde há muita ousadia do que chamam luxúria.
Tanto bordel se juntou, tanta carne se comeu sucessivamente comida por ratos de esgoto, não interessa de onde vem ou de onde é ou até a que família
pertence. A partir daquela porta tudo que querem falar é de dinheiro e a carne seca e azeda é leiloada, nem que seja apenas por uns minutos ou longas horas.
Algo que não podem levar para casa, já não bastava uma em casa a empestar
ainda teria a clareza de se meter com mais peste e comer a peste de todos os
dias.
Estando em casa, como se fosse viciada pede à criada que saia mais cedo pois
precisa de estar sozinha nas suas rezas e o silêncio é preciso. Maldita que
por dentro se destrói, explode de desejo e precisa que como com cio ir à
procura daquilo que o marido está a dar uns quarteirões perto de sua casa a
outra que de menos peste que esta não tem. Nojenta volta a disfarçar seu
cheiro de peixe com pó de arroz e aroma de frutos silvestres e sai de casa.
Entre casas vai ter onde menos se espera, ao melhor de todos, o amigo do marido.
Entrando efusivamente monta o desgraçado que prometido por mudanças se acredita e lhe dá o que ela não recebe, coitado do humilde amigo que enfeitiçado pensa que recebe o amor e a pureza , quando na realidade recebe apenas mais uma besta, um peixe podre que lhe passará a pior peste de todas, o sofrimento ou até mesmo a morte.
Porque todos gostamos de os meter mas de ser alcunhado por "cornudo", ninguém tolera, é um ataque à honra e há que acabar com o provocador e destruidor de lares.
Mas é bom que continuem ambos com os pares deles, cada um com sua peste e caindo na ignorância de não saber nem se preocupar. Porque no final tudo o que conta é despejar a peste em alguém que não nos veja por dentro, alguém que seja apenas o centro de despejo das nossas imundices, alguém que não se aperceba o quão podres somos.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dia estranho.

Hoje foi extremamente penoso, corrosivo, ardente. Eu sei lá. Nem vou andar a pensar muito se isto vai ficar confuso porque só eu leio. Como este individuo pode ser tão parecido a mim? Que maneira irritante que tem. Engraçado que o acho inconfundível e noto logo a presença dele. Tento tanto conhecer-lhe aquela mente e ele só me fala com o corpo como se fosse convencido que a única coisa que quero dele, é o que aparenta. Meu Deus que fútil ! Não rapaz, irritas-te a minha inteligência..qual seria o desafio? 
Desses esta a minha vida cheia, corpos no armário,fartos de terem sido usados porque não me adequo a rotina. Deve ser a minha inimiga. Ele é igual, e por isso o que senti hoje e começo a sentir por ele não pode ser real, não poderei deixar que seja um corpo no armário. Sou mais que isso e ele muito mais que isso. Somos dois inadaptados que são desejados por quem se fascina com a personalidade, a mente e a aparência. Será sempre isto, nunca ninguém vai aturar a rotina perfeita, ler o meu livro de vida e escrever o seu próprio? Algum deles acaba prejudicado. Um livro só tem interesse porque nós faz sentir com a mente e coração, quando temos a necessidade de o explorar entender e coloca-lo nos favoritos da nossa prateleira. Ele é o meu livro, que tenho medo de desfolhar com medo que me prenda, que seja tão intenso de descobrir que exija a minha alma e corpo dentro desse livro. Perderia controlo de mim mesma. Como electrocutar-me, sentir os rasgões na minha pele, o saltar dos meus órgãos, exagero? Hoje não sei que se passou mas pela primeira vez não o posso fazer por muito que queira. Penso que se disse amar alguém um dia, fui feliz em alguns momentos e depois a rotina matou-o, não a mim porque não o sentia verdadeiramente mas a ele queimou-o e nem me olha porque me amara lá bem no fundo , escondido. Isto acontece. E deixar que aconteça com ele? Não, com ele não, porque desta vez eu não sei o que é mais doloroso de sentir. Faz-me arder por dentro, e não posso passar por isso nem fazê-lo passar por isto.
Hoje foi estranho e sei que virá uma confusão. Vou explodir mas manterei a calma e fiel a mim mesma.