Estava sentada à espera que algo acontecesse, parei na esperança de que poderia haver novidades. Quem mas traz? De onde vêem? Que idiotice, vou beber o meu café que a única novidade que me traz é que com o passar do tempo já não há cafeína como havia.
Um barulho circular entrando no meu ouvido, me tira a atenção do gosto a África que trago na boca. Levanto o meu tronco encolhido sobre os livros , fecho os olhos e imagino a chegada do vento com a boa nova da minha cura. Imagino o seu soprar atroz e feroz, movimentos circulares, vejo-os a aproximarem-se de mim, quase consigo identificar o cheiro desse ar, cheira a terra molhada, a feno, sem dúvida. Com a sua habitual força e pressa vem até mim querendo sussurrar ao meu ouvido mas a tempestade foi brutal que o zumbido não foi perceptível, não eram as novidades que queria. Como ousas rasgar meus ouvidos com tamanha amplitude de voz? Sou apenas mais um corpo com uma alma, com a consciência que é objecto de um jogo, que é a vida. Penso mas se não pensasse existia também. Não merecia não ter novidades, preciso tanto…No final continuava a ouvir o mesmo som circular, olhei para o espaço real que me rodeava e era a máquina de lavar a loiça, destruidora de pensamentos, falsamente me fez sonhar com boas novas, com o vento mensageiro de terras frias e era só ela na sua programada tarefa, lavando loiça, que triste sou, que triste me sinto. Já máquinas me enganam, já só os sons me fazem viajar no tempo com a esperança de ouvi-lo, ao vento, o meu vento.

