Dispenso apresentações desses cornudos e chifrudos dos tempos antigos, maltrafulhos e gabarolas de guerras que não combateram, de mulheres que não comeram e de homens que desejaram porque lhes faltavam elas.
Tanto disparate e elas todas vadias, galdérias e pestenhentas com as mãos
cravadas na carne gorda disfarçada com corpetes sufocantes e perfumes na mesma pestenhentos, debaixo das unhas trazem o cheiro de peixe que a camponesa vendia no mercado da esquininha e todo o ano é Carnaval.
Homens sem guerras nem medalhas, mulheres sem respeito nem homem, eles com cornos e famintos, elas com a peste dentro e fora do corpo.
Que vida a de homens e mulheres de becos, com arrojados meios de viver, onde há muita ousadia do que chamam luxúria.
Tanto bordel se juntou, tanta carne se comeu sucessivamente comida por ratos de esgoto, não interessa de onde vem ou de onde é ou até a que família
pertence. A partir daquela porta tudo que querem falar é de dinheiro e a carne seca e azeda é leiloada, nem que seja apenas por uns minutos ou longas horas.
Algo que não podem levar para casa, já não bastava uma em casa a empestar
ainda teria a clareza de se meter com mais peste e comer a peste de todos os
dias.
Estando em casa, como se fosse viciada pede à criada que saia mais cedo pois
precisa de estar sozinha nas suas rezas e o silêncio é preciso. Maldita que
por dentro se destrói, explode de desejo e precisa que como com cio ir à
procura daquilo que o marido está a dar uns quarteirões perto de sua casa a
outra que de menos peste que esta não tem. Nojenta volta a disfarçar seu
cheiro de peixe com pó de arroz e aroma de frutos silvestres e sai de casa.
Entre casas vai ter onde menos se espera, ao melhor de todos, o amigo do marido.
Entrando efusivamente monta o desgraçado que prometido por mudanças se acredita e lhe dá o que ela não recebe, coitado do humilde amigo que enfeitiçado pensa que recebe o amor e a pureza , quando na realidade recebe apenas mais uma besta, um peixe podre que lhe passará a pior peste de todas, o sofrimento ou até mesmo a morte.
Porque todos gostamos de os meter mas de ser alcunhado por "cornudo", ninguém tolera, é um ataque à honra e há que acabar com o provocador e destruidor de lares.
Mas é bom que continuem ambos com os pares deles, cada um com sua peste e caindo na ignorância de não saber nem se preocupar. Porque no final tudo o que conta é despejar a peste em alguém que não nos veja por dentro, alguém que seja apenas o centro de despejo das nossas imundices, alguém que não se aperceba o quão podres somos.

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